De 21 a 25 de Outubro/2012 | Canela RS

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Poeta do samba, Jorge Aragão será Homenageado

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Com 20 álbuns (fora as muitas coletâneas) e mais de trinta anos de estrada - Jorge Aragão será homenageado na Festa Nacional da Música 2012. Como compositor, o "poeta do samba" explodiu faz tempo nas vozes dos maiores intérpretes da MPB e é gravado por nove entre dez estrelas; principalmente do samba.

Primeiro foi Elza Soares com um hit que atravessou décadas: "Malandro". Depois veio Beth Carvalho, Alcione, Leci Brandão, Ney Matogrosso, Zeca Pagodinho, Dona Ivone Lara, Negritude Jr., Exalta Samba, Art Popular, Elba Ramalho e Jair Rodrigues, dentre muitos e muitos outros. Nas vozes de Elba e Jair, por exemplo, o compositor extrapolou fronteiras e teve um dos seus maiores êxitos "acordando" o robô da NASA em Marte: a música "Coisinha do Pai" - canção que Jorge fez quando do nascimento de uma de suas filhas - em parceria com Luiz Carlos e Almir Guineto e um dos grandes hits da carreira de Beth Carvalho.

Mas, por um desses acasos da vida, a carreira solo só decolou no finalzinho dos anos 90 com o ingresso na gravadora Indie Records. "Sambista a bordo", o CD de estréia na Indie, fez com que suas vendas disparassem e o artista ganhou seu primeiro disco de ouro! Os seguintes tiveram premiações em ouro, platina e platina duplo. Só de 2001 para 2002 Jorge vendeu mais de dois milhões de discos, transformando-se num verdadeiro fenômeno mercadológico. Até porque o "poetinha" beirava os cinquenta e jamais havia passado das sessenta mil cópias por álbum. Cifra alcançada com o lançamento do "Sambista" em seu primeiro dia nas lojas.

Um dos fundadores do Grupo Fundo de Quintal, conjunto de samba que fez história na música brasileira e rende "filhotes" até hoje pelo país afora, Jorge Aragão ficou no conjunto por pouco tempo por achar, na época, que deveria dedicar-se apenas a composição. Mas não resistiu e acabou cedendo aos apelos de uma gravadora que o queria como artista exclusivo. O Fundo de Quintal, sómente para esclarecer, nasceu na quadra do bloco carnavalesco Cacique de Ramos; local que abrigava a nata do samba nos anos 80. Por lá passaram não só personalidades como Jorge Aragão e Almir Guineto, como bambas do naipe de Arlindo Cruz e Sombrinha (que também fizeram parte do Fundo de Quintal em suas formações posteriores).

Jorge Aragão, felizmente, não virou "apenas compositor", mas também acabou conquistando o público com seu timbre raro, sensual, e interpretações personalíssimas. Tanto que, além dos inúmeros prêmios e múltiplas homenagens, ganhou, por unanimidade de votos, o "Troféu Imprensa de Melhor Cantor do Ano" em 2001. A premiação é realizada pelo SBT (uma das maiores redes de televisão do Brasil) e dentre os julgadores estão alguns dos expoentes artísticos do cenário nacional.

Indicado na última ediçao do Grammy Latino, com seu Album “E AÍ”.

Jorge é compositor, letrista, músico, intérprete. Um cronista lúcido - e lúdico - de sua época. Dono de hits que venceram o tempo e derrubaram fronteiras. Hits tais como "Malandro", "Coisinha do pai", "Vou festejar", "Enredo do meu samba", "Eu e você sempre", "Coisa de Pele" e até de uma "versão para cavaquinho" da clássica "Ave Maria" de Gounod. Um dos autores da talvez mais famosa "vinheta" nacional, a canção "Globeleza", feita para a Rede Globo de Televisão. Uma das emissoras vale dizer, que o contrataram como analista dos desfiles das Escolas de Samba do Grupo Especial.

O fenômeno Jorge Aragão, que pretendia ser "apenas um bom e respeitado compositor", merece tudo o que está acontecendo com ele. Por seu talento, qualidade, integridade, compromisso musical. E, basicamente, pelo amor e devoção a musicalidade plural de seu país. Porque, para os que ainda não sabem Aragão não é só um grande compositor de sambas e pagodes. Ele faz samba, pagode, mas também canta os ritmos do norte, nordeste e o amor como poucos. Suas harmonias são sofisticadas apesar da fusão com a tonalidade popular. E, antes mesmo de se tornar esse visível fenômeno, nosso "Chico Buarque do Samba" poderia ostentar qualquer merecido título. Como o seu xará da Capadócia, o ex- cronometrista de corridas de moto, ex-carregador de eletro-domésticos e ex-vendedor de sapatos (profissões para as quais não tinha nenhum talento) Jorge é um guerreiro nato e iluminado. E, como todos igualmente já sabem um dos maiores - e melhores - artistas brasileiros de todas as épocas.



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