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Campeã pela Salgueiro, Maria Augusta foi uma das convidadas (Crédito: Jackson Ciceri/FNM) Campeã pela Salgueiro, Maria Augusta foi uma das convidadas (Crédito: Jackson Ciceri/FNM) Clique aqui para baixar a imagem em alta resolução

Espaço e tempo do Carnaval são temas de debate na Festa Nacional da Música

O Carnaval de Porto Alegre voltou a seu berço, no Capitólio, na esquina da rua Demétrio Ribeiro com a avenida Borges de Medeiros, para discutir exatamente isso: o tempo e o espaço da festa popular. Para isso, reuniu, na tarde deste sábado (15), os carnavalescos cariocas Milton Cunha e Maria Augusta com a comunidade do samba da Capital.

Não demorou muito para que todos percebessem qual seria o tema da conversa. Com a inclusão do Carnaval na programação oficial da Festa Nacional da Música, os porto-alegrenses puderam fazer o “aquecimento” da festa ontem (14) no lugar onde ela começou, décadas atrás, com a tradicional Descida da Borges: “A Festa Nacional da Música não precisava ter esta preocupação, e teve. Ela dá credibilidade e visibilidade, nacional e internacionalmente, para o nosso carnaval”, disse o jornalista, advogado e homem do samba Cláudio Brito, que atuou como mediador do painel.

O vínculo com as raízes e o local de fundação das escolas, demonstrada nos estandartes e nos instrumentos de percussão espalhados pela sala, emocionou a carnavalesca Maria Augusta Rodrigues. Carnavalesca campeã pela Salgueiro, em 1974, e comentarista da TV Globo, ela enxerga muitas semelhanças entre os carnavais de Porto Alegre e do Rio de Janeiro: “Eles se assemelham na origem, nos problemas e nas soluções. Só que, no Rio, o Carnaval continua próximo aos pontos centrais. Há uma coerência na ocupação dos espaços”, constatou. “A sede de uma agremiação é fundamental para sua sobrevivência”, completou.

Se a explanação de Maria Augusta se assemelhou a uma aula, a fala de Milton Cunha, cenógrafo, doutor em Letras pela UFRJ e comentarista da Globo desde 2013, foi sucinta - mas não menos instigante. Ele explicou o termo “carnavalização” e listou os três pilares fundadores do conceito: o corpo grotesco, a quebra do paradigma científico e lógico, e o jogo de opostos. Com isso, justificou porque, para ele, é a festa mais democrática que existe: “A menina aprende a desfilar na ala mirim. Depois, quando cresce, expõe o corpo na avenida como passista. Aí o corpo envelhece e ela acaba na ala das baianas, antes de ir para a Velha Guarda”, brincou, arrancando gargalhadas da plateia. E concluiu: “Isso prova que o tempo está passando para todo mundo, e que todos merecem respeito.”

Além dos painelistas, representantes dos blocos e das escolas de samba de Porto Alegre falaram sobre o momento atual da celebração na Capital. Nei Barbosa, diretor da Sebastiana (Associação de Blocos de Carnaval de Rua do Rio de Janeiro) e criador da Carnavália (Feira de Negócios do Carnaval Brasileiro), expôs a realidade do carnaval de rua carioca para os gaúchos. Para ele, também, a relação estreita entre as pessoas e seus bairros é essencial e indissociável: “O carnaval de rua acontece nos bairros com as famílias. Não adianta tirá-los dali e colocá-los em outro lugar.”


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