Festa Nacional da Música - DE 18 A 23 DE OUT

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Pretinho da Serrinha Pretinho da Serrinha Clique aqui para baixar a imagem em alta resolução

Pretinho da Serrinha confirma presença

Há mais de uma década, Pretinho vem enfileirando sucessos na voz de Seu Jorge, como “Burguesinha”, “Mina do Condomínio” e “A Doida”. Pretinho vai estar no maior encontro da música brasileira em outubro, em Bento Gonçalves.

Ele começou muito cedo no universo da música. Aos 10 anos, já era o mais novo mestre de bateria da escola de samba Império Serrano. Apoiado sobre um caixote de cerveja vazio, comandava ritmistas muito mais velhos que ele e já tocava melhor do que todos. Mas não perdeu a humildade.

Pretinho nunca desistiu do seu sonho. Filho de uma manicure e porta-bandeira, ele aprendeu muito com seu avô, um mestre de jongo. Pretinho era bem diferente de outros meninos do Morro da Serrinha. Não tinha nenhum talento com a bola nos pés. Como se não bastasse, era torcedor do Fluminense, pecado capital num bairro onde todas as crianças eram flamenguistas. Assim, dedicava mais tempo aos instrumentos de percussão, enquanto os amigos jogavam bola.

A música era quase uma fixação. Batucava com tanta força no caderno, a caminho da escola, que às vezes a caneta estourava – e ele precisava voltar para casa para trocar de roupa. Ninguém o queria na bateria do Pena Vermelha, o bloco de carnaval do morro. Quando os músicos faziam uma pausa, Pretinho agarrava um instrumento e acompanhava a música que saía das caixas de som. Na volta dos músicos, tentava se camuflar entre eles e ficar na bateria. Não dava certo. “Arreia a peça, menor!”, ouvia dos mais velhos. Logo era expulso e voltava para casa.

A sorte caiu do céu em pleno carnaval. Num dia de desfile do bloco, um tocador de repique sumiu. Faltavam duas horas para o desfile e resolveram convocar o moleque teimoso. Como a roupa do outro ficava enorme nele, Pretinho correu para casa, onde sua tia cortou a calça e amarrou a camisa com fita-crepe. Com uma fantasia e talento maiores do que seus 10 anos de vida, Pretinho desfilou. No mesmo ano virou diretor de bateria do Império Serrano.

O músico também foi um dos fundadores – e principal incentivador – do Projeto Tocando a Vida, que acontecia no Morro da Serrinha na década de 90. Na época, Pretinho conseguiu dar aulas de cavaquinho e percussão para jovens da comunidade, transformando a vida de muitos que hoje em dia são músicos respeitados. Outros tantos se perderam no caminho, em meio à tentação do tráfico de drogas e à rotina de violência na região. Hoje seu irmão Jorge Quininho da continuidade a esse sonho com o Projeto Mulecada Que Agita, que é realizado na Casa do Jongo no Morro da Serrinha.

Aos 13 anos, Pretinho já vivia de música. Mas o reconhecimento veio com muito trabalho, persistência e da parceria com outros artistas. A fama de multi-instrumentista o levou a gravar com Maria Bethânia, Simone, Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, Fundo de Quintal, Sérgio Mendes e Will I Am (Black Eyed Peas) e Kanye West, só para citar alguns.

Em 2012, participou de um especial da TV Globo com Roberto Carlos e Seu Jorge e também do Show da Primavera com Caetano Veloso e Chico Buarque, além de se apresentar em Paris durante evento da Associação Brasileira de Franchising (ABF). No ano seguinte, saiu o álbum Trio Preto+1. A novela Salve Jorge, de Gloria Perez, estreou com uma música composta por Pretinho na abertura: “Alma de guerreiro”, cantada por Seu Jorge. Na trilha sonora, também entrou “Batucada quente”, música do álbum lançado naquele ano.

Desde então, Pretinho não parou mais. Foi diretor musical do Brazilian Day New York e tocou na festa de lançamento da Nova MTV, no Nike Festival e no lançamento da camisa da Seleção Brasileira para a Copa 2014. Na última edição do Rock in Rio, ele fez uma participação especial no show de Alicia Keys, no palco Mundo, no ano anterior já tinha participado com o cantor Lulu Santos no mesmo palco. Em 2015, a música “Bon Vivant Maneiro”, de sua autoria, foi tema da novela I Love Paraisópolis, escrita por Alcides Nogueira e Mário Teixeira.

Pretinho também pode ser visto nas telas de cinema. O diretor de fotografia Jefferson Mello lançou o seu primeiro longa, “Samba & Jazz”, que contou com a participação de Pretinho, Arlindo Cruz, Alcione e os jazzistas Gregg Stafford, Donald Harrison e Elis Marsalis (do clã Marsalis). Ele interpretou China, irmão de Pixinguinha, no filme Pixinguinha, um homem carinhoso, dirigido por Denise Saraceni. O filme tem Seu Jorge como protagonista.

Esse ano veio mais uma prova do reconhecimento a carreira do músico. Ele está concorrendo a duas indicações ao Grammy Latino, melhor música com Aliança composição dele com parceiros interpretada pelos Tribalistas e melhor álbum com Amor e Música de Maria Rita, que ele assinou a produção junto com a cantora, no álbum também tem uma composição dele, a música Reza pra Agradecer.

A sua lista de trabalho é extensa. Vai de Beth Carvalho a Queen Latifah, passando por Seu Jorge, Kanye West, Lulu Santos, Marisa Monte, Zeca Pagodinho, atualmente em turnê com os Tribalistas e muitos outros. Todos eles já recorreram ao auxílio luxuoso do carioca Ângelo Vitor Simplício da Silva. Não associou o nome à pessoa? Nem seu próprio filho as vezes associa. No meio artístico, ele é conhecido como Pretinho da Serrinha, um dos mais elogiados compositores e instrumentistas da nova geração do samba.

Pretinho joga nas onze: trabalha como percussionista, cavaquinista, produtor e diretor musical, sem nunca perder o fôlego. Também é comentarista dos desfiles de carnaval e já atuou no teatro, ao lado de Maria Ribeiro e Carolina Dieckmann. Aos 40 anos e dois filhos e dois casamentos, é nome respeitado no mundo do samba, e vem consolidando sua carreira também no cenário pop.

No Rio, o sambista aceitou o convite das amigas Maria Ribeiro e Carolina Dieckmann para encenar a peça “Ensaio sobre alguma coisa que a gente não sabe o que é”. No palco do Teatro Fashion Mall, os três cantaram, improvisaram e contaram um pouco de suas trajetórias. “Este momento é de muita coisa na cabeça. Com o país em crise, a gente não pode parar de produzir. Principalmente na cultura, no qual não existe apoio nem incentivo público. Temos que, literalmente, compor, cantar e representar”, define Pretinho.

Depois de trabalhar para tanta gente, gravar com quase todos os artistas renomados do país, Pretinho da Serrinha realiza o seu grande sonho, lançar o seu primeiro CD solo, O Som de Madureira, que estará disponível em todas plataformas digitais ainda este mês.
Entre regravações de Chico Buarque, Gonzaguinha e Jorge Aragão ele canta também músicas autorais que contam com as participações de Lulu Santos, Maria Rita e Black Alien. Zé Pretinho como o músico, cantor, compositor, ator, diretor e produtor é chamado pelos irmãos, costuma dizer que se não fosse o Samba nada disso teria acontecido e agradece ao Samba por tudo que conquistou.



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